Ele veio até nós, como se buscando ser negado pelos aceitos... Como se buscando ser aceito pelos negados...
 - Mikky. Em: "Venosi L'absenti", por Hime-chan

Dia Nacional do Yaoi (2013-01-08 09:51:00)

Bom dia!

Em primeiro lugar, devo dizer que criei esta postagem para participar do evento "Dia Nacional do Yaoi" promovido pela Blyme Yaoi.

O tema da postagem é "Que tema você prefere em yaoi", mas como meu site não é voltado para o assunto, sinto que devo começar por "O que é yaoi?" e desenvolver por "Porque yaoi?".

Creio que muitos acompanham a explosão homosexual ocorrida na mídia de vários países após a legalização do casamento dito "gay". Este texto, porém, considerará minha posição sobre o homosexualismo, tomada ainda antes desta, tomada a partir da leitura de mangás yaoi (mangás com um cunho homosexual) e de uma reflexão própria.

O que é um mangá yaoi?

Em primeiro lugar, acredito que deva conceituar meu objeto de discussão. Um mangá é - resumidamente, mas não somente - um livro contendo uma história em quadrinhos japonesa, cujo teor varia de acordo com seu público alvo. Um mangá yaoi, por exemplo, aborda temas cujo foco ocorre sobre um par de pessoas do gênero masculino que se relacionam amorosamente. Um anime é uma série animada (a partr de desenhos) normalmente baseada em um mangá ou livro (novel) japonês.

Estes temas variam de acordo com a faixa etária para a qual se destina ou mesmo com a escolha e habilidade do mangaká (autor), de forma que poderíamos dividir o "yaoi" em grandes correntes:

  • Aqueles que se focam nas relações sexuais, tendo a história como preceito para elas. Neste aspecto, eu poderia citar os que considero mais pendentes a esta linha: KirePapa ou Seito Kaichou ni Chuukoku;
  • Aqueles que se focam no amor entre os protagonistas, na qual a história provem deste. Aqui acredito eu que se encaixem melhor: Sekaiichi Hatsukoi, Junjou Romantica e grande parte dos mangás de Mishima Kazuhiko-sensei;
  • Aqueles cujo foco ocorre sobre a história, utilizando o amor como uma ferramenta para a criação das personagens e de suas ações. Suponho que nesta "categoria" pudéssemos encaixar No.6 e, talvez, Crimson Spell (que ficaria entre este e o primeiro), Loveless (entre este e o quarto) e Gakuen Heaven;
  • Aqueles cujo foco ocorre sobre a história, porém, o amor é visto apenas como um coadjuvante para embelezá-la ou mesmo apenas suposto durante a série, como ocorre em Saint Beast, Togainu no Chi(anime) ou até mesmo em No.6 (os chamados "Pseudo Shönen ai's").
Também quero deixar claro que esta divisão foi feita apenas para facilitar a compreensão do que pretendo apresentar de agora em diante, meu tema favorito neste gênero, e que muitas outras diferenciações podem ser feitas, como a mais tradicional: Yaoi, Shönen ai e Pseudo Shönen ai.

Mas, porquê yaoi?

Devo dizer que é uma discussão interna comum pra mim. Porque yaoi e não yuri (mangás com um cunho homosexual entre garotas)? Porque yaoi e não um romance heterosexual?

Acredito que a resposta está no companheirismo. A meu ver, relacionamentos homosexuais entre homens que ainda guardam as características fundamentais destes (amizade, rivalidade, companheirismo, espírito protetor) são os mais agradáveis.

Claro que este efeito também pode ser conseguido através da definição de uma garota mais masculina para o casal heterosexual, como ocorre (talvez parcialmente) em Tonari no Kaibutsu-kun, Ouran High Scholl Host Club ou outros shöjos, cujos nomes fugiram-me a memória.

Para outros fãs de yaoi, também ficará claro que esta característica não é tão comum a todos eles, ocorrendo em especiais e raríssimos casos, já que grande parte do Yaoi se constitui dos chamados "semes" e "ukes" (uma parte mais masculina e outra afeminada, em diferentes níveis). Em algum destes, eu não duvidaria de que o autor tinha como princípio um shöjo e, por considerar simples demais, trocou o gênero sexual da protagonista para atrair o público fujoshi (como são chamadas popularmente as garotas que gostam de yaoi, embora haja alguma discordância quanto ao termo).

E acredito que grande parte da crítica conceituada a yaoi se deva a isto. Psicologicamente falando, suponho que o fato de um homem sobrepujar outro, exalta suas caracterísicas masculinas, tornando-o mais atrativo às garotas que assistem ao anime/lêem o mangá. Por outro lado, o uke (lado afeminado da relação) mostra-se um garoto que compreende os sentimentos femininos, possibilitando que as garotas se identifiquem com ele e o amem ao mesmo tempo, já que ainda é um garoto.

E eu?

Bem, eu assisto yaoi e alguns dos meus animes favoritos são yaoi, mas, ainda assim, não posso dizer que simplesmente gosto de yaoi.

Analogicamente, esta é a mesma discussão de quando falam sobre vampiros em RPGs. Gosto de jogar RPG com vampiros, e gosto de jogar "Vampiro, a Máscara", mas, isto não significa que eu não goste de outros RPGs ou que eu goste de todo RPG ambientado neste mundo. Há critérios, mesmo que variáveis e implícitos. Jogo com vampiros, porque sei que sua história é mais propensa a tragédias, à reflexão pessoal, à deterioração de sua personalidade, à reflexão psicológica, ao sofrimento e à dor.

Da mesma forma, assisto yaoi e gosto de assistí-lo, porque yaois são mais propensos à discussão da natureza do amor, de suas diferenças para com a amizade, do que é ser um homem, dos motivos que levam a sociedade a se dividirem em casais cujo homem trabalha e sai para beber com outros homens, lamentando a hora de chegar em casa para levar uma bronca de sua esposa.

Talvez por isso, eu preze o amor homosexual. Não que os amantes precisem ser iguais ou possuir as mesmas características; mas que eles, pelo menos, possam viver a mesma vida, juntos, divertindo-se com os mesmos amigos, sofrendo com situações semelhantes e apoiando sempre um ao outro em cada decisão. Um amor homosexual não é a única opção, mas uma das que posso imaginar, e um yaoi tem a possibilidade de nos mostrar e fazer sentir tudo isso.


Mas, esta é apenas a característica que me faz gostar de um yaoi por ser yaoi, e não a única que me faz gostar de um mangá/anime.

Meu mangá/anime favorito é No.6 (junto com Rurouni Kenshin), seguido por outros, dentre os quais se destaca Loveless (por também ser do gênero). Gosto de histórias com uma análise psicológica das personagens, personagens que possamos compreender e até mesmo concordar, que nos mostrem outros pontos de vista, que alimentem nossa alma, tornando-a mais forte, trazendo-nos novas perguntas, novas respostas. Ser yaoi ou não é uma questão de quais portas se abrem para temas a cada acontecimento.

Posso citar, por exemplo, em Crimson Spell, que apesar de uma história voltada quase que completamente às relações íntimas entre Val e Havi, possui os capítulos 19 e 20, que nos mostram uma certa resistência à quebra do pré-conceito aos homosexuais, o orgulho ferido do príncipe, a rivalidade/competição entre ele e e Havi. Sem que fosse Yaoi, talvez fosse impossível trabalhar tão bem as características psicológicas dos dois protagonistas.

Um outro exemplo é, em No.6, o volume 3, capítulo 5, onde Sion mente para Nezumi, não só para protegê-lo, mas proteger-se da humilhação de ser sempre protegido à frente daquele que ama. Sentimento semelhante ao que desperta em Nezumi, não ferido pela pobre tentativa de enganação de Sion, mas decepcionado pela imagem que Sion tinha de si, ao pensar que seria enganado facilmente. Eles queriam ser iguais, eles lutaram por isso, o maior pesadelo de cada um era ser menosprezado por aquele que ama. Ser tratado como frágil, como inferior ou como uma garota.

Não nego também que, há yaois que sequer consideram as possibilidades que o gênero yaoi abre para a história, tratando a homosexualidade com mais habitualidade do que esta realmente sustenta, mas que mostram-se esplêndidas e bem construídas em magníficas obras de arte.

Considero, então, que não é por ser ou não ser yaoi que um mangá/anime mostra-se bom, atrativo ou digno de ser assistido para mim. Acredito que uma história precisa apenas de personagens e que personagens precisam de personalidade. Personalidades precisam de razões, e estas razões, estarem bem definidas ao leitor (explícitas ou não).

E, finalmente, não sei se a pergunta foi respondida como o evento supõe, mas respondi-a com tudo o que tinha a dizer sobre o porquê gosto de yaoi. Para mim, não importa o tema, mas sim o desenvolvimento das personagens envolvidas, se é que não podemos considerar isto um subtema por si próprio.~~


See ya   :)   ~~ ♥

Obs.: Todas as imagens dispostas aqui são fanarts da light novel/anime/mangá de No.6 e nenhuma é de minha autoria

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