"Sr coelho, como consegues te manter branco em meio a tantas rosas... tão vermelhas?" - Ange. Em: "Venosi L'absenti", por Hime-chan

RPG: Quebra-cabeças; Persongem: 猫股水陽 (Nekomata Miharu)

Prelúdio

No natal das ruas gélidas de Kemijärvi, na Finlândia, apreciava a doce temperatura de minha cálida xícara de chá, quando a agradável paisagem da janela ao meu lado abandonava sua palidez em prol de um tom azulado. Uma garota, talvez garoto, exibia belos cabelos azuis ondulados como a água do mar num dia quente de verão ao lado do que aparentava ser algum tipo de pajem, portando longos cabelos negros.

Uma cena, consideravelmente, rara; mas, não o bastante para despejar-me do interior termoestável daquele café; até que percebi uma movimentação da cor que permeava aqueles fios ondulantes de água em direção ao escarlate do sangue. Como se quebrando uma crisálida, seu corpo tornava-se mais alto e, devo dizer, artístico.

Enquanto despojava-se de seu casaco branco, revelando seus trajes cujos tons desvelavam uma alucinógena variação entre rubros e púrpuras; dirigia-se a um garoto que, aparentemente, acabava de sofrer um ato de bullying.

Arrancada, impreterivelmente, de meu aconchegante casulo; a passos rápidos, levei-me em direção à cena. O pomposo carmesim daqueles fios se enredava graciosamente ao ar, proporcionando vida ao branco da praça nevada.

- "Há pessoas incapazes de proteger alguém e há aquelas que protegem, todas, a uma mesma. Não há protetores para todos. Se você não puder proteger a si mesmo, não poderá proteger a ninguém. Então, por que alguém o fará por você?”

Foram as frases com as quais fui abençoada ao me aproximar daquela mente... suficientemente poderosa, corajosa e honesta para exprimir verdades em palavras.

Não tive dúvidas de que aquela pessoa era como eu. Queria ouvi-la mais, provar o amargo sabor da verdade que ela podia me proporcionar... Verdade que a havia tornado poderosa o suficiente para brandí-la tão sinceramente.

Mas, destituindo-me de esperanças, antes que pudesse notar, aquele incêndio de sentimentos repleto do fogo da verdade voltava a deitar-se em seu leito coberto pelo véu aquático que lhe dera lugar. Simultaneamente ao retorno do belo acompanhante de trajes pálidos.

Sua mente havia empalidecido... Como pudera tal poderosa força ardendo em chamas há alguns segundos tornar-se tão... delicada e pacífica? A mescla da inquietude da minha personalidade e da paixão do meu intelecto fez-me precisar entender...

- Olá, garoto – Desta distância, pude constatar que se tratava de um garoto, apesar de seus invejáveis traços femininos.

-Ah... senhora? – Escondeu-se atrás de seu serviçal que, voltou seus olhos para mim, hesitantemente.

-Vai se resfriar sem seu casaco? – Apanhei-lhe os trajes abandonados à neve e sorri amigavelmente – Um chocolate quente iria te aquecer... Você não gostaria de vir até o meu escritório?

Imediatamente, uma força negra iniciava uma invasão à minha mente, certamente, providenciada pelo distinto homem cujos trajes se mesclavam à cor da neve e olhos azuis fitavam-me como a uma presa indefesa.

Mas, qual era sua esperança? Filha de Métis, não poderia permitir que me atacasse através de minha própria arma.

Quando, com alguma dificuldade, fui capaz de impelir sua energia evitando a irrupção; pude captar o final da aguardada resposta: “Claro. Muito obrigado!”

Palavras aquelas que acabavam de me proporcionar um convite para aquela mente tão complexa. Terá o mordomo se distraído com minha mente e esquecido de impedi-lo? Ou será aquela mente complexa até mesmo para ele?

Qualquer que seja a decisão desta resposta, suposições serão mais inteligíveis após nosso desejado diálogo. Seguimos estigmatizando as solas de nossos sapatos na maciez da neve até meu quotidiano escritório, onde prossegui ao cumprimento de minha promessa.

À encantadora temperatura do chocolate, discretamente, incitei-o a falar sobre sua vida, seu passado, suas dores e incertezas, enquanto travava uma terrível batalha mental com seu protetor.

E, sob o efeito da terapia, ele deu início:


* ~ * ~ *

B-bom dia!

E-eu sou Nekomata Miharu (猫股 水陽), prazer... Ahn.. Bem... Eu... Eu era normal... Bem, a-ainda sou, m-mas... O que eu quero dizer é que eu tinha uma família feliz... t-tá bem... talvez não muito... "normal", mas feliz e... humana...

Mamãe; Nekomata Hanachi (猫股 花形) ou, como era chamada antes de mudar-se pro Japão, Duras Fleur; era uma pessoa muito agitada,feliz e, especialmente, linda... Ela veio morar em Akihabara, por que adorava mangás e animes, trabalhou como assistente de desenho do papai por alguns anos e logo se casaram...

Papai, Nekomata Yukari (猫股 紫) era um famoso mangaká shönen ai e, a-apesar de sempre sonhar com um relacionamento... d-do mesmo tipo que os mangás, acabou se apaixonando pela mamãe quando viu que ela amava b-b-boys love tanto quanto ele... Anh.. A-ah... Isso... Isso é embaraçoso... V-vamos falar logo sobre mim, está bem...?

A-ah, m-meu cabelo? Ele é azul desde que eu me lembro... Mamãe gostava muito dessa cor e me deu meu nome por isso... - {Neste momento, Miharu detêm, brevemente, sua alocução e nos presenteia com um sorriso terno}

Nós ficamos bem conhecidos por isso já que... Ahn... O cabelo dela era Rosa e o do Papai roxo... Então, sempre foi b-bastante constrangedor quando saíamos na rua todos juntos...

{Nosso pequeno locutor desprende um longo suspiro para dar lugar às lágrimas que encarcera em seu coração}

Apesar disso... eu os amava... e-e eu era muito feliz...

Ah... Eles me mimavam tanto... que eu tenho problemas pra amarrar meus cadarços até hoje... Eu realmente adorava isso...

Meus pais costumavam passar bastante tempo no escritório, desenhando seus mangás... E eu passava esse tempo com um amigo... Um amigo especial...

Ele sabia voar e alterar sua forma física... Apesar de que sua verdadeira aparência era minha preferida... Cabelos longos, negros e esvoaçantes como fios de noite que caiam em sua pele branca, quente e macia... Rosto delicado, como o de um anjo...

Antes de dormir, eu costumava passar horas venerando seus belos olhos azuis que pareciam como janelas para o paraíso aquático que maman* tivera sonhado ao colocar meu nome... Nestas horas, que passávamos juntos, eu aprendi uma porção de coisas interessantes... Quando segurava suas mãos, eu podia prever as respostas das provas ou os próximos episódios dos meus animes favoritos... Saber as horas e até calcular quando mamãe chegaria em casa...

Ele era um grande amigo! Um daqueles que não se encontra em colégios ou na vizinhança ou em lugar nenhum do mundo... Um amigo único... Daqueles pelos quais valia a pena viver e morrer...

Até que... meus pais me contaram que nós íamos nos mudar... Não era muito longe, apenas íamos a outra cidade... Eu... Eu, realmente, esperava que meu amigo fosse conosco...

Afinal, ele havia me pedido pra guardar segredo e eu não podia contar pra mamãe e pedir pra ficarmos...

Eles pareciam felizes, nós iamos morar um tempo em Kyoto para que eles criassem uma nova série ambientada lá e eles já haviam até mesmo escrito a cena final no Kinkaku-ji (金閣寺*)... Era a primeira vez que seu editor pedia pra detalhar o lugar, já que o ambiente era particularmente importante naquele mangá...

Então, eles me avisaram numa segunda... e nós nos mudamos ainda na sexta... Por isso, eu não fui capaz de sequer avisar ao meu amigo... Mas, eu deixei um bilhete dentro do broche que ele havia me dado e tinha certeza que ele nos seguiria... Afinal, ele conseguia voar e até mesmo criar doces do nada... Não seria grande coisa pra ele apenas vir a aqui... Mas, se passaram 3 meses e ele não apareceu...

No quarto mês, eu decidi ir até minha antiga casa... A casa já estava sendo alugada, mas eu poderia apenas ficar do lado de fora esperando-o ou dizer que eu havia esquecido algo lá dentro... Mas... Q-quando cheguei lá...


Estava... Q-queimando...!

Um incêndio enorme! O fogo se alastrava tão rapidamente que antes que eu pudesse notar, já havia queimado os dois carros na garagem e chegado ao segundo andar...

Repentinamente, então, a fumaça negra que cobria toda a casa insanamente se debatia e... tomava a forma... dele... Meu amado amigo...

Sua expressão tornou-se triste enquanto sussurrava pra mim palavras frias como... "Você se esqueceu de mim..." e "Por que me abandonou?"

E, como uma brisa glacial, suas palavras me embalavam, protegendo-me do calor das chamas...

Por um momento... Não. Definitivamente, eu havia esquecido completamente o incêndio e o fogo parecia ter se diluído naquele olhar anil... tristemente doce... e infinitamente profundo...

Então, eu me virei e fui em direção ao trem, de volta para casa...

Não... Não era eu, eu apenas observava o que ocorria, através dos olhos, sem sequer controlar o olhar... Sentindo os toques e texturas através da pele dos braços, sem opinar sobre seus movimentos... Ouvindo os sons, sentindo os cheiros e o sabor da saliva sem gerir meu próprio corpo...

Mas... Apesar de tudo... Não era desconfortável... Eu sentia como se minha mente estivesse sendo calidamente embalada pela gentil música de ninar que Ele entoava...

Quando meu corpo chegou em casa, eu já repousava docilmente no colo do meu comensal ainda dentro do meu corpo... Estava cada vez mais quentinho... E a música cada vez mais audível...

Mas... não era mais uma calma música de ninar... Ela estava diferente... Uma música um tanto triste... E violenta...

Guitarras e flautas mesclando-se e tornando-a mais e mais... agitada... e aguda... Até que... eu acordei...!


A primeira coisa que vi foram seu belo par de olhos de Topázio sobre mim... Frios e sérios como um floco de neve que, como um céu de inverno, congelava meu espírito... Ainda estaria Ele aborrecido pela minha saída...? Enquanto eu o admirava ajoelhado a seus pés... Ele sorriu... E entregou-me o broche... "Tome... Foram eles, certo? Não se preocupe... Tudo acabou agora"...

Olhando para o broche, percebi que seu dourado manchava-se de vermelho... Tentei enxugá-lo, mas vi que minhas mãos ensopavam-se com aquele mesmo líquido...

Não só elas, mas também todo o chão... As cortinas... Até mesmo a mobília... e... o teto... Pelo teto, aliás, ainda gotejava algum daquele líquido...

Através de dois pequenos canudos que passavam através de uma esfera negra... Uma esfera como aquela que permitia que eu passasse meu braço pra dentro do pote de biscoitos antes da hora do almoço mesmo de longe...

Mas... onde estaria a outra metade do portal? Ah... espere... atrás... atrás de mim...? Há energia bastante para mais duas esferas aqui atrás...

Então, tão rápido quanto pude... me virei e...


D-dois... D-dois c-cadáveres...

{ Como se pretedendo livrar-se da dor de recordar aquele momento; apesar da tempestade que se formava, pela sua nebulosa mente, em seus olhos, Miharu prosseguia sem, absolutamente, cessar suas palavras, tropeçando, apenas, em seus próprios soluços }

A-a energia vinha de dentro de dois c-cadáveres irreconhecíveis, que perdiam suas última gotas de sangue através de um portal que ligava seus vasos com o teto... F-fios de cabelo cor-de-rosa e púrpura se mesclavam ao vermelho escarlate escorrendo sobre sua carne completamente seca...


M-maman? Papa? P-por que... E-ele? N-não... E-ele havia me contado que seus poderes não funcionariam em humanos... Ele não poderia ter feito...


M-mas... e-eu já havia transportado v-vegetais pra dentro do meu estômago e até mesmo um vírus para fora... E-eu t-tinha feito... E-eu fiz... E-eu sei que fiz... M-mas... N-não... N-não...

N-naquela hora... Eu caí sentado sobre o chão... Eu não sei exatamente o que se passou pela minha cabeça, por que até para mim, havia se tornado um completo caos... Quanto tempo se passou desde então...? Dois dias...? Fiquei inerte e, em minha mente, não havia nem mesmo prantos a eles ou planos para seus corpos murchos por... dois dias... Quando, finalmente, Ele tocou meu ombro...

Estava frio... Era inverno e... ele não estava usando luvas... A neve, também, entrava pela janela como se cobrindo aquela cena demoníaca com seu manto... branco e puro... Como se me lembrando... que corpos vazios devem ser enterrados...

Mas, nem mesmo ela... conseguia apagar completamente o vermelho do teto... das cortinas... da mobília... do chão... ou da minha alma... Toda minha visão tornou-se vermelha... E turva...

A melodia da Sua doce voz resoou em meu espírito novamente... "Está tudo bem... Eu estou com você..." e as lágrimas aprisionadas por dois dias, finalmente, puderam libertar-se e deslizar pela minha face...

"Eu devia odiá-lo", você diz...?

Eu estava sozinho... Eu não podia fazer nada sem ele... Eu queria... Meu amigo... O único que restou... Eu... Não me repreenda! Eu não queria mais perder ninguém... E-eu não quero!

Ele me abraçou graciosamente com o macio cobertor de penas negras que formava com suas asas... Secou cada uma de minhas lágrimas e esperou que eu me acalmasse com seu sorriso... Seu corpo parecia maior agora... Sempre pude enxergar seus olhos apenas olhando pra frente, mas... nesse momento... ele parecia como um adulto... Como os pais que eu acabara de perder... Ele queria indicar que pode tomar seu lugar? Ele podia, não pode...? Ele pode ser meu pai, mãe e amigo... Eu sei que sim...

E-ele podia, mas... Esta será sua vontade...? Ou eu serei, novamente, abandonado? Irá ele abandonar-me como fizeram meus pais...? Não... Eu precisava ter a certeza... A segurança... de que ele será, pra sempre, meu... Meu amigo... Meu único, mas completamente meu...

- "T-tenshi*..."

- "Miharu-kun?"

Ele mostrou-me um sorriso caridoso... Como se fosse capaz de me conceder qualquer desejo... Como se pudesse aplacar qualquer dúvida em minha alma...

-"E-eu vou morrer... E-e eu vou me separar de você c-como eles se separaram de mim, n-não é...? V-vou ficar sozinho... S-sem eles... Sem você..."

-"Do que você está falando, Miharu-kun? Você não pode morrer. Você não vai morrer."

Ainda sorrindo, ele me consentiu.

-"E-eu não vou?"

-"Eu não vou deixar. Nunca."

-"Promete?"

-"..."

Ele dissipou aquele belo sorriso de seu rosto, cerrou seus olhos como se tentasse dispersar suas incertezas velando as duas frações do céu que adormeciam em suas íris, e murmurou: "Sim. Eu te prometo... Miharu-kun."

Aquilo realmente me confortou... Estou feliz... Foi uma sensação indiscritível como se... Como se ele tivesse me recompensado... pela morte dos meus pais... Como se apagasse todas minhas memórias ruins...

Não... Elas... não foram apagadas... Elas só... estão ali... do outro lado... da "parede"...

Ah! "Parede"... Ela sempre esteve ali...? O que há do outro lado...? Há alguém...? E eu sinto como se ouvisse risadas... Ele deve estar feliz, não é...? Que bom...


* ~ * ~ *

☾ - Akatsuki

"Ha... ha ha ha ha... Você! Você acaba de selar suas algemas, meu querido 'Tenshi'!"

Sua face estarrecida era impagável! Eu, agora, podia controlá-lo e ele irá me obedecer cegamente... Afinal, ele assinou um PACTO! De acordo com o PACTO, ele não me deixará morrer... Há várias formas de ameaçar alguém, mas com certeza esta é a mais divertida... Não apenas por ser um demônio, mas também por ver como uma simples vida pode ser valiosa se você souber jogar... Com um simples pensamento, posso mandar os pedacinhos do meu corpo pelos ares se ele não me obedecer devidamente e isto não seria nada legal...

Meus fragmentos iriam se espalhar por todo lugar... e meu sangue iria sujar seu belo cabelo e vestes negras... Isto não seria bom... Nada bom...

Mas! ...esta não é a pior parte! Um demônio que não cumpre sua palavra é torturado e aprisionado para sempre no sombrio báratro... Não é, meu querido 'Tenshi'?

Ora ora, não me olhes assim... Tu que me destes o poder, e, por isso, eu te darei a honra de seguir sempre ao meu lado e... enquanto me fores útil, estarás seguro. Afinal, eu tenho poder... E nem mesmo teu controle mental surtirá efeito sobre mim agora que parti minha própria mente em duas. Tsc tsc... Não baixe tanto tua guarda, meu 'amigo'...

Isso é perigoso... E, agora, não é vantajoso, pra mim, que corras perigo...

Bem, ele tentou, por várias vezes, se livrar do nosso trato. Mas, eu sim, mantenho minha guarda alta... E ele não é o único que pode se aproveitar da tolice de Miharu. Mesmo tomando o controle da parte fraca da mente ou lhe pedindo para cancelar nosso pacto, eu estou sempre aqui para dominar meu próprio corpo outra vez.

A propósito... Quando eu estiver assim é "Akatsuki-samma"{朱月様} e não "Miharu". Agora... Comece pelos pés...


* ~ * ~ *

○ - Miharu

Ah... Eu sinto cócegas... Nos meus pés... Ah...É... é quente... q-quente como meu Tenshi... Ah... Um beijo...? Meus pés... T-tenshi, levante-se.. Por que você está ajoelhado?

...Ele parecia chateado... Eu não entendo... Achei que disse que estaria tudo bem agora... Eu tentei acalmá-lo, mas parece que há algo o incomodando... Eu espero que isto se disperse logo... Eu quero ser feliz com meu amigo...

Ah, nós estamos indo pra Europa agora... Tenshi me falou que não era seguro no Japão por que papa e maman morreram... Eu não entendo muito bem, mas não importa o lugar se eu estiver com ele... E é divertido por que ele sempre tem dinheiro, então podemos comprar sorvete e passear por aí...

{...}

Veeee~~ ... estamos passeando por tanto tempo que estou cansado... Hm... 8? Acho que fazem 8 anos... Eu tenho 16 agora e já passei por todos os continentes! Meu amigo realmente é especial! ...Ah, e eu estou quase do tamanho dele... Acho que vou conseguir alcançá-lo aos 20! ... Ele... tem se mostrado mais afetivo, às vezes... Ou seria apenas impressão minha? Acho que ele fica triste quando eu entro... Então, tenho tentado ficar aqui fora mais tempo...

Ah... Eu acho que já falei demais, nee?

Boku no Tenshi, vamos... Conte algo a eles também...


* ~ * ~ *

✞ Yami - "Tenshi":

He... Claro, Miharu...

{ Sorriu sinceramente e, voltando-se para mim, converteu-lhe numa face séria, num contraste macabro }

Há algum tempo, cerca de quatro séculos, eu exercia o poder máximo sobre toda a província japonesa.

Através do pacto estipulado entre mim e Tokugawa Ieyasu, eu me faria suas mãos se ele me permitisse ser, também, seus olhos.

Sendo capaz de contemplar toda a extensão do território, eu pude expurgar todo poder que ameaçasse o meu completo domínio do arquipélago e tornei-me uma das criaturas mais reverenciadas do abismo. A luta, as guerras, a miséria e, principalmente, o shinsengumi também eram parte do pacto e minha fonte de poder.

Quem pudera supor que Ele se aliaria ao imperador Meiji a partir da América e uniria mesmo clãs japoneses contra meu domínio? Ah... Se eu pudesse... fazer com que o tempo retornasse àquela era...

Infelizmente... Apenas aos humanos foi, especialmente, dedicado o poder sobre as veredas temporais...

Sabe? Crianças humanas como Miharu podem ser muito úteis se devidamente domadas... Embora... A coleira muito apertada ainda possa sufocar...

Ele me tomou o Japão e, agora, estava me tomando Miharu...

Mas, se Miharu não for meu, ele não será de ninguém... Mesmo que ele próprio ou eu seja sufocado, não permitirei que Miharu caia em suas mãos... Nunca...

Não é, meu querido Miharu...? * um sorriso cálido é mostrado em direção ao Miharu, que sorri de volta *


* ~ * ~ *

❦ Hime-chan (narradora/jogadora):

Crianças humanas podem, mesmo, transformar corações... Embora os três personagens sejam visivelmente perturbados, é importante que se perceba como tanto Yami (O nome verdadeiro do "Tenshi") quanto Akatsuki (A segunda personalidade de Miharu) apenas querem proteger o que têm de mais valioso: Seu amado Miharu.

Para o ex-governante supremo do Bakufu, Miharu foi a única posse que restou... Mesmo que não tenha restado o poderoso mago que um dia foi (Já que todo seu poder ficou encrustado na metade de "Akatsuki"), restou uma pequena mente infantil, dócil, delicada, bondosa e, particularmente, perturbada...

Akatsuki perdeu sua humanidade e vê, em Miharu, que teve suas memórias distorcidas e anestesiadas, sua única possibilidade de, ainda, ser feliz... Ou talvez, na verdade, Miharu tenha criado Akatsuki, inconscientemente ou não, com intuito de garantir sua felicidade... Talvez, até mesmo por ser a única forma encontrada de ser feliz mantendo sua pureza e bondade...

Então, ambos protegem o que restara da alma de Miharu como o último tesouro pra eles na terra.

Imagens

Nekomata Miharu: Akatsuki: Yami - "Tenshi":

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